Em maio, Elza Soares lançou mais um disco para sua extensa carreira, intitulado “Deus É Mulher”, no qual fez questão de dar voz a temas muito importantes. Ele vem como sequência de “A Mulher do Fim do Mundo”, outro grande sucesso da cantora.

Elza marcará presença no Festival Timbre, que acontece entre os dias 09 e 16 de setembro, em Uberlândia, Minas Gerais. A artista se apresenta no sábado, dia 15, dividindo o lineup com nomes como Marcelo D2, Karol Conka e Baiana System.

A Nação da Música teve a oportunidade de conversar com Elza Soares sobre o seu mais recente trabalho de estúdio, “Deus É Mulher”, e também sobre a participação no evento.

Entrevista feita por Marina Moia.

———————————————————————————— Leia a íntegra:

Oi, Elza! Obrigada por falar com a gente! Primeiro de tudo, gostaria de falar sobre “Deus é Mulher”. O disco é incrível, cheio de camadas e sonoridades. Você trabalhou com a mesma equipe de antes, mas ainda assim ouvimos mudanças. Como foi o processo de produção, o período no estúdio, desta vez?
Elza:
Deixa eu te contar, estava receosa depois do sucesso de “A Mulher do Fim do Mundo”. Os meninos, meus empresários Juliano Almeida e Pedro Loureiro me convenceram que já era hora de iniciarmos um outro trabalho, mas desta vez fiquei muito preocupada, porque depois de um grande sucesso fica muito difícil emplacar outro. Mas quando iniciamos a seleção das musicas, entrei em estúdio e gravei este disco em 10 dias, e no último dia fizemos a audição, dai não tive dúvida que tínhamos feito um grande trabalho.

Mantive algum músico do projeto anterior e inclui mais mulheres, mulheres maravilhosas como a Mariá Portugal e a Tulipa Ruiz. Estou muito feliz com este disco. Os shows uma loucura! Todo mundo cantando todas as musicas… Loucura!!! Meuuuu Deuuuuussss!!!!

O seu público, além de crescer a cada dia, também parece estar rejuvenescendo. Você sente certa responsabilidade ao tratar de temas tão importantes e que devem ser falados, como LGBTfobia, machismo, racismo, etc?
Elza: Responsabilidade de lutar por algo melhor, por este povo que carrega este país no braço, no suor e tão desrespeitados. Minha luta é em favor dos gays e trans, das mulheres dos negros. Sempre vou lutar para gritar aquilo que nos tentam calar todos os dias. Eu comungo com estes pensamentos, com esta meninada que está aí lutando por algo melhor, acho que é por isso que todo dia esta legião de inconformados aumenta e se identifica com a minha luta que não vem de hoje.

É inegável que o racismo ainda existe e que, em especial, a mulher negra é alvo de muitos preconceitos e dificuldades. Você sempre falou abertamente e sinceramente sobre sua negritude, sobre ser mulher. Mas sente que estamos avançando, estamos melhorando, pelo menos no quesito da cultura? Você acredita que é função dos artistas levantar essas bandeiras?
Elza:
É função do artista questionar o seu tempo, acredito eu, mas eu não sou todo mundo, veja bem, também não julgo quem não tem conteúdo em seu discurso, cada um com seu cada um, entendeu? Nem sou exemplo de nada, até porque nunca fui santa, pelo amor de Deuuuussss!!!! Ainda temos muito que lutar, muita coisa, na cultura então, nem se fala! Querem acabar com a cultura, o que você quer mais?

Vi que você usa e é muito ativa no Twitter. Gosta mesmo das redes sociais, desse contato com os fãs?
Elza:
Uma loucura! Sou eu mesma que cuido das minhas redes com assessoria da minha equipe, claro, mas eu gosto desse contato direto com as pessoas. Não saio de casa, só para trabalhar, [então] foi uma forma que arrumei para me comunicar e ouvir o que as pessoas estão falando…

Você vai estar no Festival Timbre neste mês. O que podem esperar deste seu show? Você sente diferença quando participa de festivais assim de quando faz shows da sua própria turnê?
Elza:
Podem esperar o meu melhor, cara, quando entro no palco entro inteira, plena com minha verdade absoluta. Adoro estar no palco, minha vida é o palco.

Já teve oportunidade de assistir “Elza”, o musical em sua homenagem? Como se sente ao ter uma produção deste porte falando sobre você?
Elza: Quando o Juliano e o Pedro trouxeram esta ideia, fiquei receosa, mas confio muito nestes meninos. Quando assisti na estreia me emocionei muito, foi lindo, nem acredito que vivi tudo aquilo. As meninas que fazem a Elza estão de parabéns!

Recentemente, você lançou a versão de “O Tempo Não Para”, do Cazuza, que está na nova novela da Globo, de mesmo nome. Como foi regravar esse clássico?
Elza:
Não veio da Globo o convite, eu coloquei esta musica no show “A Voz e a Máquina”. Algo me intuiu a gravar esta música e deixar pronta, eu queria muito gravar não entendia. Um dia a minha gravadora soube que haveria a novela pelo mesmo nome, enviamos a musica e eles adoraram. As coisas acontecem para mim, tem hora que nem acredito, cara!

Gostaria de mandar um recado aos leitores do Nação da Música?
Elza: 
Meu muito obrigado por tudo. Amo vocês! Meu DEEEEEUUUUUSSSSS!!!!!!!

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