versalle.foto.editQue o programa SuperStar tem ajudado a apresentar ao Brasil grandes novas bandas é inquestionável. Grande exemplo disso é a banda natural de Rondônia Versalle, finalista da segunda temporada do show. Em conversa com a Nação da Música nesta terça-feira (16), o guitarrista Rômulo Pacífico contou um pouco a trajetória da banda, o impacto que o programa teve em suas vidas e os planos para 2016. Tudo você confere na entrevista exclusiva abaixo.

O Versalle se apresenta na edição de 2016 do Lollapalooza Brasil, que acontece nos dias 12 e 13 de Março em São Paulo, dividindo as atenções com Supercombo, Maglore, Florence + The Machine, Of Monsters and Men e muito mais. Participe nosso aquecimento aqui.

Perguntas: Andressa Oliveira / Entrevista: Felipe Santana

Ouça a íntegra ———————————————————————————————————

Leia na íntegra ———————————————————————————————————

1. Em 2015 vocês tiveram a oportunidade de participar do SuperStar. Como foi a experiência? Como vocês enxergam sua jornada antes e depois do programa?
Antes da gente participar do programa a gente já vinha tocando junto desde 2009 – a banda começou em 2009. Só que lá em Porto Velho a realidade para os artistas é muito difícil porque não tem muitas casas que abrem espaço para a banda tocar, não tem um público muito grande que goste de rock, ainda mais rock autoral. Foi uma banda bem local, tocava com pouca frequência, uma vez por mês, uma vez a cada dois meses. Lá em Porto Velho a gente já era bem conhecido pelo tempo que tinha levado a banda lá, só que o programa foi fundamental para proporcionar pra gente condição de ter uma visibilidade maior. Porque assim, seria utópico pra uma banda de Porto Velho pensar em viver só de som autoral, tanto é que todo mundo que quer tentar alguma carreira artística lá acaba migrando pro eixo (São Paulo), e participando do programa a gente foi praticamente tornar essa utopia uma realidade, que agora a gente ta conseguindo todo mundo focar só na banda, sendo nossa principal ocupação. Lá mesmo na nossa cidade, no nosso estado, a gente agora é reconhecido por todo mundo, é engraçado que a galera e muita gente chega lá pra falar com a gente assim “cara, vocês começaram agora? Nunca tinha ouvido, não sabia que tinha som bom sendo feito aqui em Rondônia e tal”, e toda essa galera descobriu depois do programa, né? Então é uma oportunidade bacana, é um programa que tem uma proposta diferente dos anteriores a ele, porque abre espaço para bandas, e não só para artistas que cantam, e também abre espaço para demonstração autoral, que foi nossa ideia desde o começo. Então abriu muitas portas, possibilitou que a gente conseguisse fechar o contrato com a Som Livre, mudou nossas vidas praticamente.

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2. Como tem sido a trajetória da banda desde 2009 até agora?
Desde que a gente começou já tinha uma proposta assim… Na verdade a gente começou como uma reunião de amigos que queria fazer uns covers de algumas bandas que a gente achava bacana, porque na época lá em Porto Velho no cenário underground só rolava bandas de rock com sonoridade mais pesada sabe, metal, hardcore, punk… E inclusive os integrantes iniciais da banda, nós todos tínhamos outras bandas que tinha um som mais pesado, só que tocávamos por falta de opção de tocar o som que a gente realmente curtia. Ai a gente resolveu se juntar para tocar alguns covers e o vocalista mostrou uma música que ele tinha e aí no autoral deu uma liga muito doida, a gente já saiu do primeiro ensaio com a música pronta e a coisa foi pegando fama e a gente foi compondo mais mais e mais. Começamos em 2009 e no finalzinho do ano, em 2010, já fomos convidados para participar do Festival Casarão que teve 15 edições – hoje em dia não acontece mais mas era o maior festival de música alternativa em Rondonia. Ai a gente participou de todas as edições até o fim do festival (última edição em 2014). Mas a gente era tipo, bem loucão, e antes desse programa acho que a gente tinha tocado fora de Rondonia só no Acre e Tocantis, tocamos no PMW uma vez e no Acre a gente fez um grito louco lá e tudo mais, mas era assim, era um voto sabe? A gente compõe música autoral, sempre teve o cuidado de registrar nossas composições sem gravar, colocar na internet pro pessoal ouvir mas era literalmente um hobbie porque todo mundo tinha outras ocupações inclusive, eu era bancário, tinha os meninos da banda que faziam faculdade, e o programa abriu essa porta de conseguir realizar o sonho de profissionalizar na música.

3. Como foi o processo de gravação do seu disco “Distante em Algum Lugar”? Que bandas influenciaram esse álbum?
Depois do programa a gente passou dois meses negociando com a Som Livre pra fechar o contrato, e quando a gente formalizou e eles locaram os recursos pra gente produzir o álbum, fizemos o contato com o André Valle e Aurélio Kauffmann, que foram os produtores, e gravamos o álbum todo no mês de outubro. A gente gravou no Estúdio do Mato uma parte, e a outra parte num estúdio chamado Passáro Hippie – que é do Aurélio Kauffmann. Foi um processo assim de um mês, que é um tempo relativamente curto pra produzir um álbum. A gente já ganhou bastante tempo porque todas as músicas já estavam prontas e tinha arranjo, só que tivemos que escolher quais entrariam no repertório porque a gente tinha, sei lá, vinte e poucas músicas, e só tem 12 no CD, então a gente escolheu as que ficariam mais coerentes dentro do contexto de um disco – dariam mais coesão para o trabalho – e o trabalho maior foi mesmo o de escolher timbragem, equipamentos corretos, a gente tinha gravado bastante coisa de forma independente nessa primeira vez que a gente teve condição de usar os materiais/instrumentos que queria, teve todas as opções e os produtores que também deram bastante dica legal pra gente e ficamos bem satisfeito com o resultado. A gente tomou como referência principal para a sonoridade do disco o Queens Of The Stone Age, Arctic Monkeys e The Black Keys, acho que foram o nosso norte em questão de sonoridade, com bastante reverb, a gente gosta deste ar atmosférico nas músicas, essa parada mais assim, pra deixar a música mais viajada.

4. Como tem sido a Tour Avante e poder se apresentar em várias regiões do Brasil? Como foi saber que tocariam no Lollapalooza?
Parece que é um sonho que ta se tornando cada dia mais real. Antes, quando a gente só levava a banda como hobbie a gente imaginava só nos nossos melhores sonhos poder ta tocando, ver funcionando e vivendo com o dinheiro que a música proporciona. Pra ter uma ideia, a gente nunca tinha ganhado um cachê até participar do programa, foi nosso primeiro cachê assim tocando e olha que a gente já tinha feito não sei quantos shows, mas tudo só pela vontade mesmo de mostrar o som e tal. E a gente poder viajar para os lugares pra tocar, ter um público esperando pra ver a gente ansioso é legal pra caramba. E o Lolla especialmente foi assim, o ápice de alegria da nossa vida porque é um dos festivais mais importantes do país e tem uma parada interessante, porque eu mesmo todo ano comprava o ingresso, comprava a passagem, ia lá de Porto Velho pra assistir o Lolla, eu já assisti como expectador nas últimas três edições. Então, quando alguém perguntava “Qual seu sonho como músico” eu me imaginava tocando no palco do Lolla e poder ter a oportunidade de estar lá esse ano vai ser uma coisa fora de série, vai ser muito bacana, a gente tá muito feliz.

5. O que vocês esperam da apresentação no festival? O público pode esperar alguma surpresa?
A gente tá preparando o show que vai ser a base do que a gente vai apresentar na turnê de divulgação do álbum daqui pra frente, vai estrear esse show no Lolla. A gente vai basicamente apresentar as músicas que estão no CD, mas a pegada ao vivo é bem diferente, é mais intensa. Então no Lolla a gente leva a consciência de que vai ser um show muito importante porque é um festival que é uma vitrine muito grande né? Sabe que é mega importante que faça uma apresentação com bastante competência, com bastante cuidado, e é o que a gente quer fazer: impactar o público da melhor forma possível na apresentação.

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6. Aproveitando que ainda estamos no começo do ano…quais são os planos da banda para 2016?
Esse ano a gente tem um disco recém lançado e a gente vai trabalhar na divulgação dele né? Tentar fazer isso funcionar o máximo possível, fazendo a divulgação dele. A gente tem um videoclipe que já está sendo finalizado, com previsão de lançamento para o começo de março, é o videoclipe de “Mente Cheia”, produzimos com o pessoal da Granada Filmes e assim, o resultado vai ficar bem bacana mesmo, e a gente quer pegar o máximo de festivais possíveis, na real a gente tá começando o trabalho com a banda assim, a grosso modo. Então o Lolla vai ser muito importante pra gente como te falei porque é uma vitrine por conta disso, uma boa apresentação e uma boa impressão que a gente causar lá vai ser determinante pra gente conseguir ter acesso a outros festivais no Brasil e entrar mesmo no cenário do rock no Brasil. A gente ta animado e espera que o público absorva esse trabalho que a gente lançou da melhor forma possível, porque ele foi feito com muita cuidado e com muito carinho e assim, esse CD foi a conclusão de um processo que já vem correndo desde o inicio da banda, em 2009, porque tem canções que gravamos agora mas estão compostas desde 2009/2010. Tem canções de todas as fases da banda mas o legal é que mesmo sendo canções de épocas bens distintas acho que a gente conseguiu encaixar elas legal dentro do contexto de um álbum. A gente ta bem animado.

7. Alguma mensagem para os fãs e para a galera que vai para o Lollapalooza?
O recado que a gente deixa é aproveitem o festival na totalidade dele, a gente sabe que todo mundo fica mais ansioso pelos headliners mas o festival é uma grande oportunidade de conhecer bandas novas e a gente sabe que muita gente vai ver a gente pela primeira vez se apresentando e espera que o pessoal goste e dê atenção assim para as bandas nacionais, não só a gente mas todas as bandas nacionais que vão estar se apresentando lá porque com certeza é um grande momento pra qualquer banda nacional se apresentar num festival do porte do Lolla. Bom festival a todos, curtam as bandas nacionais e a gente vai ta la pra curtir os headliners porque somos fãs da mesma forma que todo mundo.

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