Resenha: “Dawn of Chromatica” – Lady Gaga (2021)

Lady Gaga
Crédito: Divulgação/Twitter
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MAR ABERTO

O título “Dawn of Chromatica” – traduzido para “Amanhecer de Chromatica” – é uma das frases mais adequadas para descrever o álbum de remixes do último projeto da popstar Lady Gaga, de 29 de maio de 2020, como você pôde acompanhar aqui na Nação da Música. Lançado na sexta-feira (03), com versões completamente distintas das faixas originais e alguns dos artistas mais inovadores do mundo da música atual – inclusive com grande destaque para cantores, rappers e produtores LGBTQ+ – o “Dawn of Chromatica” realmente representa um novo dia para a era de “Chromatica”, que muitos Little Monsters – fãs de Lady Gaga – já assumiam que estava acabada.

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MAR ABERTO

Juntando grandes nomes como Pabllo Vittar, Charli XCX, Ashnikko e Arca, o álbum tem versões remixadas de todas as faixas completas do projeto original – tirando os interludes “Chromatica I”, “Chromatica II” e “Chromatica III”. Ouvir aos remixes é uma experiência totalmente diferente do pop clássico do disco lançado no ano passado, nesse novo momento, o produtor BloodPop conseguiu unir tantas colaborações e fazer de “Dawn of Chromatica” uma introdução ao pop eletrônico, ao hyperpop e à PC Music – contando com aparecimentos de outros gêneros, mas sem nunca deixar desconexo.

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O projeto começa com “Alice” – primeira faixa oficial de “Chromatica” também – e é feita em parceria com o DJ e cantor LSDXOXO, que colabora com batidas metálicas, eletrônicas e um ritmo viciante. Enquanto a versão anterior da canção era um exemplo de pop tradicional, com Lady Gaga cantando sobre o início de uma nova jornada, o artista convidado consegue distorcer a música e criar uma nova construção em cima disso – inclusive colaborando com seus vocais na segunda estrofe.

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A segunda faixa é “Stupid Love”, com produção e voz da francesa COUCOU CHLOE. Enquanto a original te colocava para cima, oferendo claridade e luz solar, esse remix é o inverso – não por ter transformado “Stupid Love” em algo triste – mas sim por fazer da música uma trilha sonora para a noite. Com beats mais sutis e sirenes, essa nova versão é o que você ouve ao chegar em uma boate, enquanto espera na fila, ouvindo a música de dentro misturar-se com conversas e o som da noite urbana.

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O que se segue é uma das canções mais polarizantes de “Dawn of Chromatica”. A versão original de “Rain on Me (feat. Ariana Grande)” era uma faixa tão amada pelo público geral que qualquer um estaria com um desafio imenso em frente – mas quando a selecionada foi a avantgarde Arca, a música foi uma colaboração interessante. Indo de um pop tradicional em todos os sentidos, com grandes batidas e foco nos vocais de Lady Gaga e Ariana Grande, para uma mistura perfeitamente integrada de ritmos eletrônicos, ecos e toques metálicos, “Rain on Me” foi bastante criticada nas redes sociais por sua nova face. No entanto, o mais encantador de Arca, que já trabalhou com Bjork e SOPHIE, é a sua habilidade de moldar todos os fios de uma música para que o que saia seja algo que ninguém nunca ouviu antes.

Free Woman” foi uma das canções que menos impactou o público na versão original de “Chromatica”, mas, agora, com participação da voz imensa da britânica Rina Sawayama e a produção intensa de Clarence Clarity, a faixa se tornou uma mistura de rock, eletrônica e um pop chiclete incrível. Começando com “Rina Sawayama and / Let’s go Gaga”, a música tem uma guitarra que segue no background na duração inteira, aparecendo mais durante o refrão, e um verso novo de Rina Sawayama – que completa a aura empoderadora e contém uma das frases mais marcantes do projeto: “Se mantenha forte, mesmo quando desprezado” – vindo da boca de uma mulher pansexual.

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A faixa mais esperada pelo público brasileiro era “Fun Tonight”, uma parceria com a drag queen, superstar e potência musical Pabllo Vittar – e foi algo inesperado para aparecer no álbum de uma das maiores estrelas do mundo. Na canção, as duas artistas cantam por cima de uma versão puxada para o forró da música original – contando com pandeiro, saxofone e sanfona. “Fun Tonight” é um dos maiores destaques de “Dawn of Chromatica”, com a voz aguda de Pabllo Vittar se misturando perfeitamente com o tom aveludado de Lady Gaga. Além de tudo, ela representa uma expansão da cultura nacional para o cenário internacional.

Os toques delicados da produção de A.G. Cook iniciam o remix de “911”, e o que segue é um verso falado de Charli XCX por cima da batida crescente – representando o hyperpop com força completa. Beats metálicos, bolhas e ritmos hipnotizantes, essa versão é uma reprodução da intensidade e confusão de um período de saúde mental frágil – algo que a faixa original já representava. Com mudanças rítmicas e batidas que completamente refletem as letras e o ritmo com que as vocalistas cantam, a nova versão de “911” é um momento de escutar atentamente a cada nova nota que A.G. Cook adiciona. Chegando mais perto do final da faixa, também temos um verso completo só com a voz de Charli XCX, mostrando seu tradicional vocal metalizado e sua sensibilidade na composição.

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Começando com um verso caracteristicamente audacioso e provocante de Ashnikko, a nova versão de “Plastic Doll” é uma união única – na qual a parceria mostra o rap e Lady Gaga fica livre para mostrar toda sua potência vocal. A artista colaboradora, por sua vez, consegue animar a faixa intensamente, com tons metálicos, bolhas e um ritmo mais marcado – além de rimas que representam a vibe atiçadora e desafiante dessa mistura – “Fazer você beber desinfetante, me chame de Heather” é um dos exemplos.

A batida se intensifica e fica mais grave em “Sour Candy”, não tendo muitíssimas mudanças na melodia, mas tendo sua sensualidade aumentada em mil vezes com a colaboração da cantora e rapper britânica Shygirl. A faixa se aquieta para o verso dela, no qual quase sussurra suas palavras – dizendo “Eu posso ser doce, mas sou azeda para você” – puxando todos com sua parceria hipnotizante para uma canção que já era icônica com os vocais de Lady Gaga e BLACKPINK. “Enigma” é a faixa que se segue, com mixagem da produtora Doss – trazendo uma vibe euro-eletrônica para “Dawn of Chromatica”. Flutuando no universo da música techno, Doss usa a voz de Gaga como um 808 a mais – criando uma faixa que soa como um interlúdio, sendo majoritariamente sonora (mas ainda assim prende o ouvinte).

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Com toque único do músico não-binário Dorian Electra, “Replay” também é um dos maiores destaques do projeto de remixes, levando a faixa para um lugar de intensidade, margeando o metal – com guitarras, baterias eletrônicas intensas e vocais quase gritados. Em seu verso, Dorian canta: “Girando como se você fosse um DJ / Me torture no replay” – arrastando a raiva e a dor já presentes na versão original da canção, com sua composição e produção, para um fervor incomparável dentro de “Dawn of Chromatica”, ainda assim mantendo a energia de Lady Gaga no centro da música.

Transformar uma faixa pop – com batidas tradicionais e um drop intenso – em um exemplo de música eletrônica e hyperpop não é algo simples, mas foi o que Chester Lockhart, Mood Killer e Lil Texas conseguiram em seu remix de “Sine From Above”, que já contava com a participação de Elton John. Usando dos maiores símbolos do hyperpop, as batidas metálicas, os efeitos nas vozes, a utilização de sons cotidianos como campainhas e uma grande mudança rítmica ao longo da canção, os artistas conseguiram construir uma nova face para “Sine From Above” que, para quem não está familiar com o gênero, pode parecer uma cacofonia – mas na verdade é completamente equilibrada e medida, usando o caos como instrumento musical.

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Com cinco minutos de duração, o remix de “1000 Doves” do projeto artístico Planningtorock é mais um exemplo da ingressão do techno europeu dentro de “Dawn of Chromatica”. Escolhendo usar batidas mais sutis e mais comuns no gênero pop, o artista cria, em cima da obra de Lady Gaga, uma faixa que mescla momentos suaves, como o ‘refrão’, períodos de ritmos eletrônicos intensos e quase repetitivos e segundos de experimentação de novos beats e 808’s.

As últimas duas seções de “Dawn of Chromatica” são remixes da faixa “Babylon” – o primeiro contando com a parceria da cantora e rapper Bree Runway e o produtor Jimmy Edgar, e o segundo é a versão que apareceu no comercial da marca de maquiagens de Lady Gaga, a HAUS LABS. Começando com “It’s Bree Bree Bree, yeah!”, o primeiro remix é crescente – trazendo elementos do techno, como as batidas em intensa repetição e adição, e do hyperpop, com seus ritmos metálicos, mantendo a faixa, que já era baseada na música eletrônica, e construindo em cima. O verso de Bree Runway já nasce icônico, brilhando com a confiança da rapper. A segunda versão, “Babylon (HAUS LABS Version)”, tem como produtores Bloodpop, Lady Gaga e Tchami. Com momentos de caos e metal, misturado com o pop tradicional da primeira instância, é uma versão que convida o ouvinte a se adaptar ao ritmo constantemente mutável ao longo de seus três minutos.

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Podendo realmente ser considerado o amanhecer em Chromatica, o projeto de remixes “Dawn of Chromatica” tem destaques imensos que irão marcar produções futuras e outras faixas que irão ser colocadas no replay infinitas vezes. Um álbum de remixes que entregou uma nova face ao disco original, esse é um acontecimento único e que deve ser mantido como um exemplo para outros artistas que tiverem ideias parecidas. Além de oferecer espaço para artistas menores e LGBTQ+, Lady Gaga completamente se abriu para a inovação nas quatorze faixas, provando de novo sua capacidade de sempre se manter relevante dentro das constantes mudanças no mundo da música.

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RESUMO DA RESENHA
Lady Gaga - "Dawn of Chromatica"
Estudante de jornalismo, não-binárie e apaixonade por música. Sempre aberte para ouvir qualquer gênero, artista ou década. O universo do pop, principalmente hyperpop, k-pop e synthpop, é onde eu vivo e sobrevivo.