Resenha: “Dedicated” – Carly Rae Jepsen (2020)

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Carly Rae Jepsen
Foto: Reprodução / Capa.

A cantora canadense Carly Rae Jepsen, dona do hit “Call Me Maybe”, lançou em 21 de Maio, em uma estratégia não muito inédita em sua carreira, o “Dedicated Side B”, álbum com faixas que não entraram em seu álbum principal de mesmo nome, lançado um ano antes da chegada de seu lado B. Carly já havia feito o mesmo com o “E-MO-TION” devido à uma grande quantidade de faixas produzidas que não passaram no corte final. Você confere agora uma análise faixa-a-faixa do álbum.

O CD inicia com “This Love Isn’t Crazy”, uma faixa que nos transporta de alguns beats tímidos com destaque para a voz de Carly até uma grande explosão dance como é a especialidade da cantora. Definitivamente uma faixa que dominaria as rádios e pistas de dança caso seu nome estivesse em alta no mainstream.

Em seguida, já somos diretamente levados para uma batida mais leve e envolvente com uma presença significativa de um baixo em “Window”. Se a anterior nos faz dançar em um clube, essa seria a trilha sonora perfeita para curtir com alguém especial num piquenique num domingo à tarde.

“Felt This Way” vem como uma ótima sequência na linha de construção do álbum, tem um instrumental muito mais eletrônico do que com instrumentos propriamente ditos, mas ainda assim é envolvente sem ter uma produção pesada e/ou genérica.

E por falar em sequência, em “Stay Away”, Carly reaparece com partes da letra e da melodia idênticas a da faixa anterior só que dessa vez com uma roupagem muito mais energética e upbeat causando aquela sensação de “eu já ouvi isso em algum lugar”, o que dá uma vida diferente pro álbum e cria links e conexões muito positivas pra quem consome o projeto em sua totalidade. Muito sagaz!

Dando continuidade, temos a empolgante “This Is What They Say”, uma das que claramente poderão vir a se tornar single. A vibe contagiante e a letra falando desse tipo de amor, que nos faz viver o hoje e nada mais, fazem desta uma das melhores do álbum. Há uma conversa de sonoridade com a primeira faixa trazendo uma coesão muito interessante para o projeto como um todo.

E eis que chegamos a primeira balada e, com um nome desses, não poderia ser muito diferente. “Heartbeat” mantém a delicadeza dos instrumentais de Carly nesta coletânea ao passo que a produção consegue ser complexa e cheia de surpresas sem passar do ponto. É uma experiência muito gostosa ouvir essa faixa em que os vocais suaves são o ponto central com o máximo de destaque sonoro mas que, ainda assim, fica impossível não se apegar às nuances do instrumental que aparecem com a mesma rapidez que se despedem, mas não sem antes causar um impacto significativo em seu público.

“Summer Love” volta as atenções de Carly Rae Jepsen às faixas que são produzidas, em suma, com instrumentos reais como uma bateria que vai do início ao fim, parando apenas na ponte, nos convidando a dançar. Há também a presença de um baixo tímido e alguns efeitos que, assim como na maioria das outras canções do álbum, nos transportam direto à década de 80. Poderíamos facilmente reconhecer referências de Madonna nessa faixa.

Outra que destaca os vocais, até que a batida chegue para acompanhar o desenrolar da faixa, é “Fake Mona Lisa”. Com uma batida bastante singular e com pouco mais de dois minutos, ela nos prepara para uma grande crescente rumo ao que talvez seja o ponto mais alto do álbum.

“Let’s Sort the Whole Thing Out” é como uma síntese de todo o álbum. Tem a presença de efeitos eletrônicos, instrumentos reais, uma produção realmente interessante dos vocais, a vivacidade que já havíamos experienciado e a vibe da energia amorosa que tem se espalhado desde o primeiro segundo até aqui. É realmente impressionante como tudo tem se costurado muito bem com coerência e instigação. Definitivamente é difícil superar essa performance, se comparada ao restante.

O problema de se ter uma faixa tão boa em um álbum é o de elevar o nível dificultando que ele se mantenha. “Comeback”, que conta com a participação de Bleachers, não chega a ser ruim mas simplesmente não decola dentro do contexto geral. É uma daquelas músicas que parecem manter um tom único e que não vai muito além daquilo deixando o ouvinte com um “que” de: e agora… especialmente colocada nesta ordem. Poderia ser um respeito, mas isso já acontece em “Heartbeat”.

“Solo” retorna com a proposta do álbum mais visível e trás um refrão explosivo e uma letra que evoca o amor próprio. A produção não é tão amigável quanto outros destaques que já tínhamos por aqui, o que não faz dela ruim de maneira alguma, mas a ponte da faixa é eufórica e preencheria facilmente a vaga de melhor faixa para se performar em um show/festival sendo quase que possível visualizar as palmas sincronizadas de uma plateia vibrando com as coordenadas de Jepsen. Definitivamente onde o álbum deveria ter se encerrado.

São precisos alguns segundos até que os vocais de Carly atinjam os ouvidos em “I Don’t Hate California After All” e, uma vez que isso acontece, podemos enfim começar a deglutir o instrumental experimental da faixa. Não é nem de perto um trabalho memorável dentre tantos dragões que tivemos acesso mas é sensorial o suficiente para nos proporcionar uma experiência sonora interessante. Nem boa, nem ruim… diferente. Contudo, poderia ser mais curta e acaba sendo uma escolha equivocada para se encerrar um álbum tão bem costurado.

É mais do que notável o fato de que Carly Rae Jepsen consegue nos entregar um álbum tão coeso e de alto nível sendo feito com material de descarte de outro de seus álbuns criticamente aclamados. Em uma entrevista durante a divulgação do “E-MO-TION”, Scooter Braun, empresário da cantora, disse que a ideia era ir além do foco em grandes hits e trabalhar em álbuns aclamados pela crítica e, 4 álbuns depois, sendo dois originais e dois sob o título de Side B’s de seus antecessores, é mais do que evidente que o objetivo não só foi atingido como coloca Carly em um lugar de não precisar provar mais absolutamente nada pra ninguém. Os hits não tem se feito presente na carreira de Jepsen desde 2012 com sua explosão, mas de uma coisa temos certeza: é só questão da estratégia certa, pois já vimos que, quando se trata de materiais de qualidade, ela é certamente dedicada.

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RESUMO DA RESENHA
Resenha: "Dedicated Side B" - Carly Rae Jepsen (2020)
Guil Anacleto
Arquiteto e Urbanista por opção, cantor e amante de música por vocação. Uniu seu gosto por música e por escrita quando viu no Nação da Música a oportunidade de fundir ambos. Não fica sem um bom livro, um celular e um fone de ouvido. Amante de séries, televisão, reality shows, gastronomia, viagens e tenta sempre usar isso a seu favor para estar reunido com família e amigos. Uma grande metamorfose ambulante reunida em um coração sonhador com um toque de humor indispensável.