Resenha: “Last Young Renegade” – All Time Low (2017)

Dois anos após seu último lançamento, a banda All Time Low liberou o disco “Last Young Renegade” no dia 02 de junho. Este é o primeiro trabalho dos americanos a ser lançado pela Fueled By Ramen, mesma gravadora de bandas como Paramore e Panic! At The Disco, e mostra em suas faixas um grupo mais harmônico e maduro.

O pop punk dos caras do ATL sempre seguiu uma mesma fórmula – o que não é necessariamente ruim – com muitas guitarras, bateria marcada e aquelas músicas que você sabe que ficarão ótimas ao vivo. Com “Last Young Renegade”, a banda de Baltimore conseguiu mostrar mais profundidade nas letras das músicas, ao mesmo tempo que arriscaram ao colocar mais sintetizadores na produção.

Conheço o grupo desde a minha adolescência, mais ou menos na época do lançamento de “Nothing Personal” (2009) e, de uns anos para cá, posso confessar que alguns dos trabalhos deles não haviam chamado minha atenção, como o disco “Future Hearts” (2015). A razão disso é pela sensação de que a banda não estava evoluindo nas suas produções. Criticamente falando, o álbum de 2015 foi muito bem aceito e isso é ótimo. Mas eu sentia falta de algo diferente, como as bandas já citadas, Paramore e Panic! At The Disco vem fazendo.

Mas as minhas vontades se tornaram realidade com “Last Young Renegade”. A primeira faixa, que leva o nome do disco, ainda possui aquele elemento ATL, com versos que crescem até explodirem no refrão. Por ser a música de abertura e ainda ter o mesmo título do disco, ela acaba tendo a responsabilidade de mostrar o que vem pela frente.

“Drugs & Candy” não foge do estilo da primeira e eu gostei muito das letras, onde Alex Gaskarth fala sobre relacionamentos tóxicos, os comparando com drogas e doces. O final da faixa explora mais o lado “punk” do pop punk, com Alex arriscando nos vocais mais agudos. A faixa seguinte, “Dirty Laundry”, é uma das mais diferentes do disco e traz uma aura contemplativa e melancólica, algo que o videoclipe dela traduz muito bem. Esta é uma daquelas músicas que você acha que o refrão vai ser pesado e vai estourar em seus ouvidos, mas ela segue o caminho contrário, pelo menos até o final, onde encontramos seu ápice.

“Good Times”, apesar de ser menos melancólica, segue o mesmo estilo da anterior, com letras nostálgicas. “Nice2KnoU” já começa com bateria forte e marca uma subida de ritmo no álbum novamente. É uma das faixas que tenho certeza que ficará incrível ao vivo e, em pouco tempo, eu já estava com o refrão na minha cabeça. O clipe é um dos mais legais deste novo disco, sendo que os integrantes passam por diversos locais que fazem parte da história do All Time Low.

Favorita do guitarrista Jack Barakat, como ele nos contou em entrevista, “Life of the Party” é uma das clássicas “Party Song” da All Time Low. Praticamente todos os discos têm uma dessas, seja “I Feel Like Dancing” (“Dirty Work” – 2011) ou então “Stella” (“Nothing Personal” – 2009), e elas são sempre muito divertidas. Mas “Life of the Party” traz um tema mais contemplativo e mais sombrio desta vez. “In a sea of strangers, I can’t find me anymore” (Num mar de estranhos, eu não consigo mais me encontrar), diz a letra.

Como um respiro antes de outra música animada, temos “Nightmares”, onde Alex volta a sua infância. A música em si segue o estilo de “Dirty Laundry”, com um refrão que decresce e quebra a expectativa de que ela vai estourar em guitarras e batidas pesadas. “Dark Side Of Your Room” se destaca na bateria de Rian Dawson e na guitarra de Jack Barakat. Mais uma que pode ficar muito, muito boa ao vivo.

Na penúltima faixa, temos a música mais diferente do disco todo, na minha opinião. “Ground Control” traz a parceria com o duo canadense Tegan and Sara, e possui uma vibe muito mais eletrônica, combinando com a letra, que faz analogias com o espaço sideral. Os vocais de Alex, Tegan e Sara harmonizam perfeitamente no refrão. Para fechar o álbum, vem “Afterglow”. Canção otimista e que serve para encerrar o trabalho com uma energia boa, já que é uma faixa mais pop e ainda com resquícios eletrônicos de “Ground Control”.

“Last Young Renegade” apresenta quatro integrantes muito mais maduros e, arrisco dizer, mais sérios. Ao contrário de trabalhos anteriores, onde temos letras mais descontraídas, com até algumas palhaçadas, este disco mostra que All Time Low cresceu, amadureceu, mas não perdeu sua essência. Eu aplaudo esta atitude porque realmente não gosto quando os integrantes de uma banda já estão quase na casa dos 30 anos e ainda cantam sobre assuntos adolescentes e triviais.

O álbum definitivamente não é perfeito e pode não agradar fãs hardcore da ATL, mas de fato traz uma banda que não teve medo de arriscar e de mostrar um lado muito mais pessoal e adulto. Nele, podemos ver que All Time Low é uma banda que possui camadas e conteúdo e pode ir além da sua zona de conforto.

Tracklist:

01. Last Young Renegade
02. Drugs & Candy
03. Dirty Laundry
04. Good Times
05. Nice2KnoU
06. Life Of The Party
07. Nightmares
08. Dark Side Of The Room
09. Ground Control (ft. Tegan and Sara)
10. Afterglow

Nota: 8

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Marina Moia
Jornalista, bauruense de coração e apaixonada por música desde que se conhece por gente. Viciada em séries, amante de livros e colecionadora de batons coloridos.

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