Throwback: “Fight The Power” do Public Enemy continua muito atual

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Public Enemy
Michael Ochs Archives/Getty Images

Era julho de 1989 quando o filme “Do The Right Thing” (“Faça a Coisa Certa”), do diretor norte-americano Spike Lee, estreava nos cinemas dos Estados Unidos. A música tema do longa, “Fight The Power”, do grupo de hip-hop Public Enemy, que virou hino de protestos da comunidade afro-americana contra a violência policial no fim dos anos 80, se mantem relevante até os dias de hoje.

“Fight The Power” nasceu por causa de uma encomenda feita pelo próprio Spike Lee ao Public Enemy, com a ideia de ter uma faixa “desafiadora, raivosa e rítmica” para “Do The Right Thing” – a narrativa do filme gira em torno de um conflito entre a comunidade negra e moradores italianos do bairro de Bedfor Stuyvesant, no Brooklyn, Nova Iorque.

A partir do enredo, e da música de mesmo nome do grupo The Isley Brothers, o Public Enemy construiu uma letra com referências ao conflito central do longa (a falta de ícones afro-americanos na “Parede da Fama” da pizzaria local), ao Partido dos Panteras Negras, Malcolm X, Bob Marley e Frederick Douglass.

A composição da faixa, feita pelo grupo de produtores The Bomb Squad, é repleta de samples em homenagem a história e a cultura afro-americanas. Eles vão de falas dos ativistas pelos direitos civis Jesse Jackson e Thomas TNT Todd, ao uso de mais de 20 trechos de canções como “Whatcha See Is Whatcha Get” do The Dramatics, “Hot Pants” e “Funky Drummer” do James Brown.

“Fight The Power” possui dois clipes dirigidos por Spike Lee: um com imagens do filme e outro que começa com a Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade, realizada em 1963 sob o comando do reverendo Martin Luther King. A abertura é seguida de imagens de um comício político ficticio do Public Enemy no Brooklyn, chamado de “Marcha dos Jovens Pelo Fim da Violência Racial”. Na platéia do evento, o público aparece usando camisetas com os dizeres “Fight The Power” e segurando cartazes com imagens de Angela Davis, Muhammad Ali e outras importantes figuras negras.

No mesmo ano de seu lançamento, “Fight The Power” foi tocada nas ruas de Overtown, em Miami, durante as comemorações pela condenação do policial branco William Lozano, responsável pelo assassinato do motociclista negro Clement Lloyd e pela morte de Allan Blanchard – Allan estava na garupa da moto de Lloyd quando ele foi atingido por Lozano, o motociclista perdeu o controle e acabou batendo em um carro. A prisão e a condenação de Lozano vieram depois de uma sequência de protestos na região do crime.

Ainda em 1989, a música também foi ouvida na Greekfest, um evento de fraternidades afro-americanas realizado durante o feriado de Labor Day, em Virginia Beach. Na ocasião, a polícia local utilizou a força para esvaziar as ruas e foi confrontada pelos estudantes negros, estimulados pelo hino anti-abuso de violência.

Descrita pela revista Time (via BBC) como “mais do que entretenimento – mais do que uma expressão de alienação e ressentimentos […] uma potente força social”, “Fight The Power” continua muito atual, especialmente por causa do recente levante contra a violência policial e a favor da comunidade negra nos Estados Unidos e em todo o mundo, despertado pelo assassinato do norte-americano George Floyd no dia 25 de maio por provável asfixia provocada pelo policial branco Derek Chauvin.

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