Coala Festival
Foto: Rafael Strabelli / Nação da Música.

Entre inúmeros ‘Fora Temer’ e pedidos de liberdade à Rafael Braga, aconteceu no último sábado (12) na cidade de São Paulo, mais precisamente no Memorial da América Latina, o Coala Festival 2017.

Assim como em 2016, este ano nossa equipe também esteve presente e acompanhou os shows que rolaram. Com um público considerável, o evento, que teve seus ingressos esgotados, foi relativamente bem organizado. Diante da evolução de outros festivais de médio e grande porte, pode-se dizer que o público enfrentou alguns problemas, principalmente com questões que envolviam as grandes filas para comprar os tickets de comidas e bebidas, já que alguns dos demais festivais estão usando pulseiras que você consegue creditar um valor antes mesmo de ir ao local, economizando tempo e facilitando a vida de quem vai. Um outro ponto negativo para a organização foi o atraso dos shows, que fugiu do cronograma divulgado por eles, mesmo que o evento tenha terminado pontualmente no horário anunciado.

Com muito sol, quem abriu o Coala desse ano foi Liniker e os Caramelows. Com seu jeito extremamente carismático, a artista fez com que as pessoas chegassem mais cedo ao festival e apreciassem as músicas do álbum “Remonta”, o primeiro de estúdio, lançado no segundo semestre do ano passado. Usando um longo vestido, a cantora interagia o tempo todo tanto com os integrantes da banda quanto com o público presente, que devolvia a ela toda essa energia cantando em alto e bom som a maior parte das faixas apresentadas.

Já o show da Aíla, o segundo do dia, trouxe os instrumentistas vestidos de preto e uma capa de chuva vermelha, enquanto a cantora usava uma roupa personalizada com seios femininos pendurados. Aíla mostrou ao público a que veio, apresentando as músicas do seu mais recente disco “Em Cada Verso Um Contra-Ataque”, que completou um ano do seu lançamento há pouco tempo. A paraense teve como seu ponto forte a performance da conhecida “Lesbigay”, que você pode ouvir no player abaixo. Aliás, se você ficou curioso para conhecer um pouco mais do trabalho dela, clique aqui e ouça agora no Spotify.


Tulipa Ruiz
Foto: Rafael Strabelli / Nação da Música.

A terceira performance ficou por conta da já conhecida Tulipa Ruiz, acompanhada de uma voz expressiva. Ela embalou o público e fez todo mundo cantar principalmente as faixas “Efêmera” e “Só sei dançar com você”. O show teve dois momentos muito especiais: o primeiro deles quando a cantora chamou ao palco o seu pai, Luiz Chagas, que a acompanhou com sua guitarra na música “Vibora”; nessa mesma canção, outro grande momento foi quando Liniker subiu ao palco mais uma vez e encerrou a canção junto a ela, fechando assim a apresentação.

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Entramos agora no quarto show da noite, do muito comentado pela crítica Rincon Sapiência. Antes mesmo de subir ao palco, Rincon já chamava a atenção, já que a bateria da banda que se apresenta com ele trazia a mensagem “Liberdade Rafael Braga” – entenda aqui. O rapper mostrou-se cheio de energia, movimentando-se muito no palco e buscando interagir constantemente com o público, enquanto apresentava faixas da sua carreira. Rincon deu prioridade para músicas do seu recém lançado álbum “Galanga Livre”, disponibilizado nos serviços de streaming em maio.

Seguindo a mesma linha de Rincon, quem se apresentou na sequência foi Emicida, que entrou ao som da música tema do filme “Rocky Balboa” e abriu com “Zica Vai Lá”. Assim como você pode ter visto em outras resenhas – como essa aqui que a gente fez -, o rapper, acompanhado de sua banda e do seu parceiro DJ Nyack, faz uma performance singular. Em todas as vezes que o vi até agora, o começo dos shows são sempre agitados e mostram um lado de forte entrega por parte dele, e dessa vez não foi diferente. Aliás, por falar em diferença, essa apresentação não foi só dele: o paulista contou com a presença e performances do seu amigo Rael, que trouxe alguns hits da sua carreira, e do irmão Fióti, com sua voz potente e afinada.

Foto: Rafael Strabelli / Nação da Música.

Por fim, o derradeiro show de Caetano Veloso. Entendo que muitas pessoas criticam as opiniões pessoais e políticas dele – afinal, o país é democrático e tudo pode ser questionado (inclusive esse texto, se você quiser) -, mas tem coisas que são inegáveis. Musicalmente falando, o baiano é uma lenda viva, por ter construído tudo o que construiu até hoje e pela trajetória dele como cantor e compositor consolidado. Você pode não gostar das músicas, do estilo ou dele próprio, mas conhece seu trabalho. Uma prova disso é que, em muitos casos, o silêncio em um show pode ser interpretado de forma negativa ou neutra, como repulsa ao que está acontecendo, ou por estar conhecendo algo novo. Mas na apresentação de Caetano, na qual o público presente era em sua maioria de jovens e adultos, todos cresceram ouvindo Caetano nas rádios ou quando algum familiar colocava para tocar. O silêncio, nesse caso, se traduz em respeito e atenção.

A apresentação dele começou dessa forma, com apenas algumas pessoas cantarolando baixinho. Ao mesmo tempo, havia um lado animado e bem-humorado, até mesmo com um problema que deu no som em um determinado momento. As faixas eram amplamente conhecidas e as mais populares se transformaram em festa, para uma plateia tão nova e diferente dos shows que estamos acostumados a ver em ambientes fechados com mesas e cadeiras. O show se encerrou às 22h e passeou por toda a sua carreira, com pontos altos em músicas como “A Luz de Tieta”, “Um Abraçaço”, “O Leãozinho” e “O Quereres”.

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Rafael Braga
Foto: Rafael Strabelli / Nação da Música.

Texto: Rafael Strabelli / Revisão: Gabriela Teixeira

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