Fresno
foto: Camila Cornelsen

Composta atualmente pelos integrantes Lucas Silveira (vocal e guitarra), Gustavo Mantovani – também conhecido como Vavo – (guitarra e backing vocal), Mario Camelo (teclado) e Thiago Guerra (bateria), a Fresno surgiu há exatamente 20 anos. A formação original, no entanto, passou por algumas modificações logo no início. Hoje, com oito álbuns de estúdios lançados, além de três EPS, o grupo possui uma legião de fãs apaixonados por todo o Brasil e que não hesitam em chamá-la de melhor banda do país.

  • Quarto Dos Livros (2003)

Após percorrer uma longa trajetória que incluiu mudanças de nome e entrada e saída de integrantes, a Fresno enfim estava pronta para lançar seu primeiro projeto independente em 2003. Com influências de bandas emo como o grupo norte-americano The Get Up Kids, a primeiro música do disco se chama “Teu Semblante”.

A canção começa com uma batida chamativa e que cativa quem ouve o álbum pela primeira vez, sendo uma ótima maneira de iniciar seu primeiro trabalho. O tema, resumidamente, é pautado na solidão após o fim de um relacionamento, comparando o cenário de um quarto à uma prisão devido a lembrança do que foi vivido à dois naquele lugar. Além disso, ela possui um instrumental simples, fator comum para bandas que estão no início de carreira, ainda mais quando ela está sendo construída de maneira independente.   

“Quarto Dos Livros” também inclui outras músicas bem queridinhas pelos fãs da banda, como “Stonehenge” e “Sono Profundo”.

  • O Rio, a Cidade, a Árvore (2004)

Este segundo trabalho de estúdio da banda é bastante conhecido pela música “Onde Está”, hit que alcançou certo sucesso na época em que foi lançado e ainda mexe com os fãs até os dias de hoje. No entanto, a canção é a segunda faixa do álbum, e não a primeira. O single encarregado de apresentar o novo disco do grupo, na verdade, se chama “Orgulho”.

Com composição de Lucas Silveira, vocalista da Fresno, esta não é uma canção muito extensa. No entanto, não deixa de ser uma boa forma de preparar os ânimos para “Onde Está”, a canção que viria para dar destaque à banda no cenário da música nacional e que daria maior popularidade ao grupo.

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Outras músicas que também merecem ser destacados no álbum “O Rio, a Cidade, a Árvore” são “Evaporar” e “Verdades Que Tanto Guardei”.

  • Ciano (2006)

Com o “Ciano”, pode-se dizer que a Fresno começou a traçar cada vez mais o rumo que sua carreira tomaria. Sem mais aquela pegada de banda de garagem que rolou nos álbuns iniciais, o novo trabalho do grupo se inicia com a música “A Resposta”. Coincidência com a última canção presente em “O Rio, A Cidade, A Árvore”, que se chama “Pergunta”? Parece que não.

A letra da música de fato soa como uma resposta para o disco antecessor. Além de ter aumentado a qualidade sonora do material, a temática do novo álbum vai muito além de desilusões amorosas e consegue captar o público de uma maneira muito específica. Isso pode ser observado, por exemplo, no single “Quebre As Correntes”, que apesar de apresentar um som mais pesado, propõe uma espécie de diálogo ao ouvinte.

Além das duas músicas citadas, “Cada Poço Dessa Rua Tem Um Pouco Das Minhas Lágrimas” – que eu particularmente considero um verdadeiro hino – e “Alguém Que Te Faz Sorrir” merecem ser destacadas neste terceiro álbum da banda.

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  • Redenção (2008)

Para abrir o quarto álbum do grupo, começamos com a canção “Sobre Todas As Coisas Que Eu…”, uma excelente introdução, com duração de 1:11 minuto, para a música que vem logo a seguir: “Não Quero Lembrar”, que é como se fosse um complemento ao primeiro single do disco.

Com influências de bandas como Anberlin e Mae, logo no início já é possível observar que o vocal soa muito mais leve e melódico do que nos álbuns anteriores. Não foi à toa que o single “Alguém Que Te Faz Sorrir”, presente em “Ciano”, passou por uma reconfiguração musical e acabou sendo incluída também em “Redenção”. Aliás, este pode ser considerado um bom parâmetro para notar as diferenças e evoluções, tanto melódicas quanto instrumentais, entre um álbum e outro.

Outros singles que também merecem destaque nesse novo álbum são “Desde Quando Você Se Foi” – excelente escolha para cantar nos karaokês da vida, aliás -, “Polo” e, claro, “Milonga”, outro hino atemporal e que todo fã que se preze sabe cantar do início ao fim.

  • Revanche (2010)

A faixa-título é o primeiro single do quinto álbum de estúdio dos caras, sendo uma canção que já havia sido apresentada aos fãs antes mesmo de seu lançamento. Com um som mais pesado, revela-se logo de cara que a banda deixou aquele ar aparentemente mais tranquilo lá em 2008, em “Redenção”.

Dessa forma, o single “Revanche” tende a explorar mais o instrumental com riffs energéticos. Por outro lado, os gritos “entalados” na garganta de Lucas também são um ponto a ser notado na canção. No entanto, é preciso reconhecer que ao seguir para a segunda canção, “Deixa O Tempo”, a ideia de que o som da banda mudou totalmente é logo desconstruída. O single consegue remeter à mesma sonoridade produzida no disco anterior e prova que a Fresno consegue encontrar o equilíbrio perfeito para que suas canções sejam tão singulares quanto a própria banda é. Além desse single, podemos destacar também a música “Eu Sei”.

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  • Infinito (2012)

Senta que lá vem o sexto álbum de estúdio deles! Com um som de altíssima qualidade e muito bem definido, a canção que dá início a esse poderosíssimo trabalho da banda é intitulado “Homem Ao Mar”. E, por mais que não seja a faixa-título que apresenta o álbum, como aconteceu em “Revanche”, pode-se dizer que a escolha para a primeira música é uma boa introdução para, enfim, o single “Infinito”.

Com uma pegada mega envolvente, a música mostra que se tem uma coisa que a Fresno tem é muito conteúdo musical, tanto em técnicas como em questão de composição. Além da faixa-título, não se pode deixar de lembrar de “Maior Que As Muralhas”, e muito menos de “Diga, parte 2”. Aliás, esta última é simplesmente um verdadeiro tapa na cara de quem já passou por alguma desilusão amorosa, já que consegue expressar toda a mágoa que rola quando um relacionamento acaba não tão bem assim. Com frases fortes e impactantes, além de toda a sonoridade pesada que a música apresenta, é outra música que os fãs curtem cantar até ficar sem voz.

Mas, sinceramente, apesar do carinho por todo esse álbum, não posso negar que “O Resto é Nada Mais” é um dos meus maiores xodós em forma de música. Fica a dica para quem nunca ouviu. 

  • A Sinfonia de Tudo Que Há (2016)

Finalmente chega o sétimo álbum do grupo, quase quatro anos após o lançamento de “Infinito”. Com o single “Sexto Andar”, uma referência de local popularmente conhecida entre os fãs por já ter sido tratada em outras canções da banda, somos apresentados à um projeto totalmente diferente do que estamos acostumados a ouvir da Fresno. O amadurecimento musical, que já se fazia perceptível entre as mudanças de um álbum para outro, fica em evidência nesse novo projeto. Além disso, a ousadia que a banda teve em expandir seu arco musical em “A Sinfonia de Tudo Que Há” é de deixar qualquer um com inveja, principalmente se levarmos em consideração o extraordinário resultado.

Arrepiante do início ao fim, em um misto de canções que parecem estar todas interligadas, esse álbum é uma verdadeira viagem sonora. Além dos belíssimos arranjos e das poéticas letras, ainda temos uma participação de peso no trabalho dos caras: Caetano Veloso, que se encaixa perfeitamente na canção “Hoje Sou Trovão”. Além dela, outros singles que também merecem atenção são “Poeira Estelar”, “Abrace Sua Sombra”, “O Ar” e “Canção Desastrada”. 

  • sua alegria foi cancelada (2019)

Lançado recentemente, o oitavo e último álbum de estúdio da banda é mais uma prova de que eles são capazes de se reinventar a cada trabalho que passa – principalmente nestes últimos -, mas sempre entregando um material de qualidade impecável. Com “O Arrocha Mais Triste do Mundo” sendo a alavanca do projeto, pode-se notar que a Fresno busca explorar as mais diversas experiências sonoras e técnicas em “sua alegria foi cancelada”, o que reafirma ainda mais sua ousadia, para a alegria dos fãs.

Este pontapé inicial se inicia de forma lenta, sendo cantada principalmente em tom de desabafo. Diferente dos primeiros álbuns, que possuíam desabafos voltados para questões amorosas na maior parte do tempo, esse primeiro single se mostra muito mais profundo e revela como a banda pretende prosseguir:  com letras mais maduras.

Já outra grata surpresa foi a canção “Cada Acidente”, em parceria com Tuyo, que se assemelha muito mais a uma música pop do que ao som habitual da Fresno. Com sintetizadores e uma melodia muito agradável, é uma música que fica na cabeça. Além dela, “Quando Eu Caí” também merece destaque, assim como “De Verdade”.

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