MGK enfrenta resistência e aposta em hits da fase pop-punk no Rock in Rio

Machine Gun Kelly
Foto: @RafaelStrabelli / Nação da Música

MGK subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio neste sábado (5) sabendo que sua presença em um dos dias mais pesados do festival poderia causar estranhamento. Entre Sepultura, Black Pantera com Nervosa, Bring Me The Horizon, Bad Omens e Avenged Sevenfold, o cantor apareceu com um repertório concentrado em músicas de sua trajetória pelo rock e passou boa parte da apresentação tentando conquistar uma plateia que, em muitos momentos, parecia estar esperando outra coisa.

O show começou às 19h com “Fix Ur Face”, seguida por “WWIII” e “Till I Die”. Desde os primeiros minutos, MGK mostrou que a apresentação seria pensada também como espetáculo visual. Ele foi um dos artistas que melhor aproveitaram os 2.400 m² de LED do novo Palco Mundo, usando vídeos e intervenções gráficas para acompanhar as músicas e ampliar a experiência visual do público.

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Musicalmente, o repertório se concentrou no período em que o cantor se aproximou do pop-punk, do emo e do rock, com destaque para os discos “Tickets to My Downfall” (2020) e “Mainstream Sellout” (2022). A seleção deixava outras fases da carreira em segundo plano e privilegiava justamente o material que poderia soar mais familiar em uma programação dominada pelas guitarras.

A reação da plateia deixou claro, no entanto, que essa aproximação não seria automática. Durante “I Think I’m OKAY”, MGK interrompeu a música para reconhecer que havia pessoas ali que não entendiam por que ele estava naquele palco e naquele dia, especificamente. Em seguida, falou sobre o desejo de conquistar novos fãs e sobre a realização de um sonho ao finalmente participar do Rock in Rio.

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As conversas continuaram ao longo da apresentação. O cantor falou sobre sua trajetória, contou que sempre quis tocar no festival e revelou que pretende lançar um novo álbum no próximo ano. Também recorreu a brincadeiras e comentários de teor sexista para reforçar a persona de rockstar que acompanha sua imagem. Em alguns momentos, conseguiu arrancar respostas da plateia; em outros, as tentativas de interação pareciam apenas evidenciar a distância entre ele e aqueles que o assistiam no momento.

Os fãs que estavam ali para assisti-lo, por outro lado, corresponderam. Os maiores coros apareceram justamente nas músicas mais conhecidas de sua fase rock, especialmente “I Think I’m OKAY”, “bloody valentine” e “my ex’s best friend”. Quando o público reconhecia os primeiros acordes, a dinâmica mudava e MGK encontrava a energia que vinha procurando desde o início.

MGK estava em uma posição complicada na programação. Entre os shows de Sepultura e Bring Me The Horizon, com Avenged Sevenfold fechando a noite, o Palco Mundo reunia uma sequência de atrações muito mais próximas do metal e do rock pesado; o que tornava ainda mais difícil conquistar quem não havia chegado à Cidade do Rock por sua causa.

Nesse cenário, a escolha do repertório ganhou um peso maior e revelou a disposição de MGK em se adaptar para estar naquele palco. Em vez de percorrer diferentes fases da carreira, o cantor concentrou a apresentação nas músicas que marcaram sua aproximação com o pop-punk, o emo e o rock, justamente a faceta de seu trabalho que mais poderia dialogar com aquela programação.

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No fim, a estreia no Rock in Rio ficou marcada pelo contraste entre os fãs que responderam aos principais hits e uma parcela da plateia mais interessada nas atrações que viriam depois. Para quem havia dito que tocar no festival era um sonho, estar naquele palco foi também enfrentar o desafio de se apresentar para um público que, em grande parte, não havia chegado ali por sua causa.

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Stephanie Hora
Stephanie Hora
Jornalista, apaixonada por música, livros e cultura em geral.